terça-feira, janeiro 23

Shadowside: ‘Nosso novo disco traz uma certa complexidade sem parecer complexo; soa simples, mas, ao mesmo tempo, não é fácil de tocar’, afirma o baterista Fabio Buitvidas.

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Da esquerda para a direita: Fabio Buitvidas (bateria), Raphael Mattos (guitarra), Dani Nolden (voz) e Magnus Rosén (baixo). Foto: divulgação

Uma das mais importantes bandas surgidas no metal brasileiro nos últimos anos, a Shadowside prepara seu retorno oficial a cena nacional e internacional. Na verdade, não sei se seria um retorno, afinal o grupo nunca encerrou suas atividades. O fato é que, desde 2011, nada novo era lançado. Mas, para quebrar o silêncio, o grupo anunciou ‘Shades Of Humanity’, álbum que promete agradar em cheio aos fãs. Ao menos, este foi o aperitivo saboreado por todos com o lançamento do single ‘Alive’. Para saber mais sobre este momento, conversamos com o baterista Fabio Buitvidas. Confira o que rolou na sequência.

Por Matheus Vieira

Portal Black Dog – Acho que não há uma maneira melhor em começar este papo do que esta: o disco “Inner Monster Out” foi um sucesso, porém saiu em 2011. Por que só agora a Shadowside retorna com um novo material?

Fabio Buitvidas: Esta é uma pergunta difícil de responder. Não foi algo deliberado, simplesmente foi o rumo que a coisa tomou. Particularmente, gostaria de ter terminado a tour do Inner e ido direto para o estúdio. Terminamos essa tour em 2013 ou 2014 então, na verdade, nem foi tanto tempo assim.
Não é uma logística simples, sabíamos que a gravação seria na Suécia, o estúdio e produtor precisavam estar disponíveis e nós ainda tínhamos que nos juntar para compor. Confesso que fiquei um bom tempo sem ter a menor inspiração para criar algo e sei que a Daniela também passou por isto.

Criar um conjunto de canções do zero não é nada simples, cada um tem sua maneira de compor e precisa que fatores externos lhe deixem confortável. O tempo voa, quando nos demos conta vimos que tínhamos de colocar uma data como limite para criar um pouco de pressão e assim finalizar os trabalhos, essa é a melhor situação, ter uma data limite. E assim nos juntamos e começamos a misturar nossas ideias. Assim que isso começou, o Magnus Rosén entrou para a banda e então tudo começou a ganhar corpo rapidamente. É uma sequência de eventos, você foca em algo e aquilo vai seguindo seu curso.

Portal Black Dog – O que os fãs podem esperar de “Shades Of Humanity”?

Buitvidas: É uma evolução do trabalho anterior. No “Inner Monster Out”, encontramos nosso som. Foi o primeiro álbum que gravamos como uma banda consolidada internamente. O primeiro álbum foi com uma formação completamente diferente e eu nem era oficialmente da banda, havia sido chamado apenas para gravar. Já no segundo, “Dare to Dream”, estávamos com o “núcleo duro” formado, Dani, Raphael e eu, mas ainda não tínhamos experiência em compor juntos.

Para o Inner já trabalhamos diferente, em conjunto desde o primeiro momento. “Shades of Humanity” beneficia-se da formação estável, de um maior conhecimento pessoal entre nós e da experiência adquirida. O resultado é um trabalho com muita energia, peso e maturidade musical.

Falando especificamente por mim, sempre procurei o equilíbrio entre o ”tocar para a música” e criar algo que fosse desafiador para as minhas habilidades. Isso fica latente no álbum “Dare to Dream”, mas, lá, eu exagerei um pouco, não tendo criado nada desafiador.

Penso que, no “Shades of Humanity”, consegui um pouco mais deste equilíbrio, é um álbum que traz uma certa complexidade sem parecer complexo, soa simples, mas, ao mesmo tempo, não é fácil de tocar pois traz muitos elementos de fora misturado a clichês do estilo. Há até levada de pagode! Mas inserida num contexto e tocada com uma pegada nada usual para este ritmo.

Lembro do nosso produtor comentando sobre a ela, dizendo que achava muito interessante e que nunca havia ouvido aquilo. E, de fato, é muito interessante e, para mim, um desafio. No final o que se ouve é um trabalho muito pesado, melódico, agressivo, as mesmas características do “Inner Monster Out” mas, ao nosso ver (e ouvir) um degrau acima.

Fabio Buitvidas em show na Suíça. Foto: Stéphane Harnisch

Portal Black Dog – A produção é Fredrik Nordström (Arch Enemy, Hammerfall, Evergrey). O que ele soma ao trabalho da banda?

Buitvidas: Com ele encontramos nosso som. Fredrik e Henrik são produtores extremamente respeitados no meio, de uma competência a qualquer prova. Sabemos que não vamos ter moleza com os dois. Não há tapinha nas costas, mas também não há imposições.

O que ele faz é extrair de cada um o melhor que podemos dar naquele momento e opinar sobre o que estamos fazendo, ou buscando. Quando queremos, a palavra final é nossa. Quando não conseguimos chegar a um consenso pedimos a palavra final a ele.

Tecnicamente também, é impressionante o quão simples ele faz parecer o trabalho de engenharia de áudio. O som que ele tira de nossos instrumentos é fantástico e sua mixagem soa enorme, cristalina e muito, muito pesada.

A gravação corre muito fácil, quando você se dá conta já acabou de gravar. Este trabalho foi até mais rápido de gravar que o Inner, que já havia sido rápido. Tínhamos o estúdio por um mês, mas terminamos antes e então ficávamos jogando bola, fazendo competições de corrida no videogame, lavando roupa…

Portal Black Dog – O clipe de ‘Alive’ é um curta metragem, praticamente. Qual o sentido desta ideia?

Buitvidas: Foi algo que o diretor do filme trouxe e, sim, é um curta metragem. Deixamos ele à vontade para criar o que ele tivesse enxergado através de nossa música. É uma história sobre superação, com a banda representando, ou sendo representada, pelos quatro elementos, terra, fogo, ar e água.

Cada um numa situação de perigo ou iminente tragédia, buscando forças para superação e nos encontrando todos ao final, tendo superado nossas dificuldades. São situações onde não se mostra o que levou a elas, mas que sugerem algo. O clipe está disponível neste link.

Portal Black Dog – Como foi o contato com o diretor Daniel Stilling, conhecido por seus trabalhos no filme “Perdido em Marte” e no seriado “Criminal Minds”?

Buitvidas: Daniel é meu amigo pessoal há quase 30 anos, dinamarquês que morava no Brasil. Fazíamos parte de um mesmo grupo de amigos e bandas no início dos anos 90. Ele era guitarrista do Avalon, foi engenheiro de áudio em um estúdio em São Paulo e acabou se mudando de volta à Dinamarca. Depois de um tempo, ele estabeleceu-se nos Estados Unidos tendo iniciado uma carreira de muito sucesso na indústria cinematográfica.

Quando fizemos o clipe para “Angel With Horns”, do “Inner Monster Out”, ele comentou comigo que um dia gostaria de fazer um trabalho conosco. Quando começamos a pensar no clipe do novo álbum entrei em contato com ele para ver se estaria no Brasil por aqueles tempos, assim poderíamos tentar fazer algo.

Acabou que a coisa evoluiu de tal forma, e tão rápido, que fomos todos para Orlando, na Flórida para as filmagens. Foram 3 dias filmando nas mais variadas situações, sob as mais variadas adversidades, mas sempre num clima de alegria e satisfação por estarmos realizando algo diferente (para nós) e com total assistência e comprometimento por ele e sua equipe, sem contar a competência e satisfação em trabalhar com um dos melhores.

Capa do aguardado ‘Shades_of_Humanity’. Foto: divulgação

Portal Black Dog – A Shadowside é um nome consolidado e faz um som peculiar. Em qual momento do metal nacional vocês retornam?

Buitvidas: Num ótimo momento. Há muitas bandas fazendo um trabalho realmente profissional, o que eleva o nível do cenário como um todo. Temos de tudo para todos os gostos, há cada vez mais bandas indo fazer turnês fora do país, vejo também bandas se juntando em turnês dentro do Brasil. Esperamos nos juntar a elas em breve!

Portal Black Dog – Há planos para uma turnê?

Buitvidas: Não há nada consolidado ainda, precisamos lançar o álbum e então observar a demanda e estruturar. Temos um baixista que mora na Suécia então temos que criar uma agenda que permita otimizar ao máximo a presença dele. Certamente haverá algo em breve, mas não temos datas ainda para divulgar.

Portal Black Dog – Obrigado pela entrevista. Boa sorte nesta retomada.

Buitvidas: Agradecemos imensamente o apoio e o interesse em nosso trabalho. Estamos prontos para voltar à estrada e encontrar nossos amigos. Não esqueçam de acessar nosso site para ficarem por dentro das novidades www.shadowside.net .

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Sobre o Autor

Pai do lindo Nicholas, Vieira é jornalista (com diploma - MTB 67923/SP) e acumula anos de experiência em redações de jornais e revistas. Colecionador de CD´s de rock e metal, também é apaixonado por cinema e arte de maneira geral. Foi diretor do extinto Portal Novo Metal e colaborador dos sites Whiplash e Portal do Inferno. Escreveu matérias para a Roadie Crew e Valhalla. Na rádio Uniara FM 100.1, foi um dos fundadores do programa Black Dog, há 5 anos. Agora, as ondas do rádio ganharam novos contornos. E foram para a internet. Ao seu lado, o amigo Carlos Oliveira.

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