terça-feira, janeiro 23

Psycho Queen: Representatividade, empoderamento feminino, beleza e muito talento.

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Banda foi formada em 2011. Foto: Nei Santos

Elas são jovens, bonitas e amam rock n´roll. Com shows por todo o interior de São Paulo, as garotas da Psycho Queen, de Piracicaba/SP, vivem um momento especial, afinal, o mais novo single da banda, ‘Existence’, foi ovacionado nas redes sociais, fato que impulsionou Julie Gomes (vocal), Thais Bittencourt (guitarra), Ana Carolina (guitarra), Helena Mondini (bateria) e Débora silva (baixo) a sonharem com novos horizontes. Mas essa estrada é fácil? Será que uma banda só com meninas ainda enfrenta machismos baratos? A vocalista Julie Gomes fala sobre tudo isso ao Portal Black Dog.

Por Matheus Vieira

Portal Black Dog- A Psycho Queen rodou várias cidades do estado com um show de covers. Porém, o autoral nunca foi colocado de lado. No caso, vocês têm duas músicas próprias. Como é a atual proposta?

Julie Gomes – Nós pensamos em nos aprofundar nas composições e, futuramente, seguir com a Psycho Queen apenas no mundo autoral. Acho que esse é o sonho de todas as bandas: conseguir conquistar algo com músicas realmente suas. Porém, nós sabemos o quão difícil é se destacar nesse meio. Vamos seguindo com os covers e, aos poucos, rumando para aquilo que queremos.

Portal Black Dog- A última faixa divulgada, ‘Existence’ mostra uma grande evolução em relação a ‘Supernova’. Você concorda? Como avalia essa diferença?

Julie – De certa forma, sim. Na Supernova, ainda estávamos perdidas sobre o que queríamos de fato para a Psycho Queen. Não sabíamos exatamente onde calcar nossas ideias e concepções. Ainda assim, estávamos empenhadas em fazer uma música nossa, que desse voz aos projetos que tínhamos em mente. Assim surgiu a Supernova.

Ela mostra exatamente nossa perspectiva inicial em relação a tudo isso. A ‘Existence’ é uma concepção mais madura e trabalhada, por isso a evolução. Ainda assim, a Supernova tem um carinho especial no nosso coração por ser nossa primeira música, não adianta (risos).

Portal Black Dog- Inclusive, essa música é difícil de rotular, mas adianto que sua voz é o grande destaque: a melodia é excelente. Parabéns.

Julie – Ah, muito obrigada. Eu particularmente sou puxa saco das outras meninas: então, na minha opinião, aquela linha de baixo depois do primeiro refrão e o solo ficaram um tesão. Tinha certo receio de que a melodia não fizesse jus a tudo que estávamos querendo mostrar, mas o feedback foi muito positivo! Fiquei bem feliz.

Portal Black Dog- Vocês passaram por recentes trocas de integrantes, certo. O que aconteceu?

Julie – Sim, tivemos a troca de uma baterista. Foram problemas de cunho pessoal.

A vocalista Julie Gomes (Foto: divulgação)

Portal Black Dog- Nunca pensaram em colocar algum homem? Por que?

Julie – Não. Não vou dizer que nunca iremos pensar, afinal de contas as coisas mudam, vão se moldando e se ajustando. Mas, por agora, definitivamente essa não é a nossa intenção. O meio está tão cheio de bandas formadas por homens, sem nenhum tipo de representação feminina. Assim, nós achamos necessário uma representatividade exclusiva, para que outras mulheres pudessem ver aquilo como um incentivo.

Nós sabemos o quanto esse meio pode ser machista, opressor e perverso para mulheres. Mas juntas, somos sempre mais fortes. Até porque, apesar da banca de delicadas, se alguém mexer com alguma integrante que seja, nós viramos monstros (risos).

Portal Black Dog – Antigamente, bandas só de meninas eram raras. Agora, essa realidade parece diferente. Aqui mesmo na região de Araraquara/SP, temos a Nota Promissória e um ótimo tributo ao Iron Maiden, a Iron Ladies. É uma nova tendência?

Julie – Não tão diferente quanto eu gostaria, honestamente falando. Bandas só de mulheres ganharam mais destaque e se tornaram mais freqüentes de se ver, mas o meio ainda é dominado por homens. Eu espero que sim, seja uma nova tendência.

Quando eu costumo comentar isso, alguns homens me falam: “Então você quer que o meio seja excludente com homens?”. Não! Mas eu quero que as mulheres tenham a mesma oportunidade, o mesmo tratamento de bandas com homens. É muito reconfortante ver uma mulherada super foda e talentosa, como é no caso da Iron Ladies e a Nota Promissória, ganhando seu lugar ao sol. Estamos evoluindo, um dia vamos chegar lá.

Portal Black Dog – Tudo na vida tem dois lados. Qual o lado positivo em uma banda só com garotas?

Julie – Eu acho que ter uma banda só de mulheres é sensacional. Obviamente que nem tudo são flores, mas ter uma banda com 4 meninas juntas é algo maravilhoso. Tornamos-nos amigas, confidentes e irmãs. Além de instrumentistas, que nos reunimos para fazer shows e garantir o nosso trabalho, nos tornamos família também. Eu diria que 90% é positivo. Já tive bandas onde eu era a única mulher, e era divertido, mas a relação é totalmente diferente.

Em pé: Julie Gomes e Helena Mondini. Sentadas: Ana Carolina, Thais Bittencourt e Débora Silva. Foto: Nei Santos

Portal Black Dog – Qual o negativo?

Julie – TPM (risos). Não vejo bem como um aspecto negativo, mas as vezes causa uma desestabilidade na banda, o que é normal. Um dia, alguma das meninas está mais sensível, ou estressada, acaba rolando uma discussão aqui e lá. Mas isso não é um aspecto negativo, é só uma conseqüência. Família é assim, né?

Portal Black Dog – Com certeza, vocês já devem ter recebidos cantadas de todos os tipos. Qual foi a mais sem graça? (risos)

Julie – De vez em quando acontecem algumas coisas engraçadas. Já rolaram algumas, e nós sempre acabamos rindo do ocorrido. Uma vez, em um show, uma mulher ficou aficionada comigo, disse que havia se apaixonado, que queria demais compor uma música para mim. Eu nunca havia visto essa mulher na minha vida inteira, e achei tudo aquilo cômico demais.

Por fim, ela veio, no final da noite, com um guardanapinho de papel todo amassado, com uma letra que era impossível de entender (já que ela estava mega bêbada) e declamou a música toda para mim (risos). Mas já recebemos homenagens bem legais, ganhamos flores em um show, certa vez. Isso me deixou extremamente emocionada. São experiências e tanto.

Portal Black Dog – Para finalizar, Juliana, você também é professora de música. Pretende, no momento, ter outros projetos dentro da música?

Julie – Eu tenho algumas coisas em mente, mas para o futuro. Minha mente vive a mil, então tenho muitos projetos e idéias para colocar adiante. Espero que, futuramente, possa colocar isso em prática, seria muito bacana. Mas muitos projetos junto com a Psycho Queen estão por vir, estou muito ansiosa.

 

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Sobre o Autor

Pai do lindo Nicholas, Vieira é jornalista (com diploma - MTB 67923/SP) e acumula anos de experiência em redações de jornais e revistas. Colecionador de CD´s de rock e metal, também é apaixonado por cinema e arte de maneira geral. Foi diretor do extinto Portal Novo Metal e colaborador dos sites Whiplash e Portal do Inferno. Escreveu matérias para a Roadie Crew e Valhalla. Na rádio Uniara FM 100.1, foi um dos fundadores do programa Black Dog, há 5 anos. Agora, as ondas do rádio ganharam novos contornos. E foram para a internet. Ao seu lado, o amigo Carlos Oliveira.

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