terça-feira, janeiro 23

‘Como Nossos Pais’: Roteiro recheado por diálogos intensos e carregados com reflexões intensas sobre o viver, sobre o existir. Sobre vislumbrar mudanças ou mesmo quebrar uma rotina que mata silenciosamente.

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Foto: divulgação

Por Matheus Vieira

Grande vencedor do Festival de Gramado 2017, levando 6 Kikitos, incluindo o de melhor filme, o nacional ‘Como Nossos Pais’ é um crônica cotidiana que soa tão familiar ao ponto de você identificar muitos amigos e parentes nos personagens da história. Ou até se auto-identificar, quem sabe.

A trama traz Rosa, bem interpretada por Maria Ribeiro, uma mulher de 38 que encontra-se numa fase peculiar da vida, marcada por conflitos pessoais e existenciais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe, ela precisa manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Fora a relação cheia de conflitos com a mãe, uma professora aposentada culta, porém arrogante.

Assim nos é apresentado um roteiro recheado por diálogos intensos e carregados com reflexões intensas sobre o viver, sobre o existir. Sobre vislumbrar mudanças ou mesmo quebrar uma rotina que mata silenciosamente. Questões que estão em alta nos dias de hoje como o machismo e o ‘amor livre’ são tratadas sem preciosismos. Para mim, isso se torna um ponto alto, afinal, nenhuma ideologia é enfiada na cabeça do expectador.

Vale ressaltar também algumas belas cenas, que mostram a poesia sendo explorada na medida certa em um equilíbrio metafórico com a realidade. A cena do leite fervendo e vazando da leiteira como o estopim dos problemas, assim como ‘Como Nossos Pais’, de Belchior, ao piano, no final do longa, são grandes momentos.

A única coisa que não gostei em ‘Como Nossos Pais’ foi o final no ‘susto’. Sei que a vida é uma grande incógnita. Talvez, a diretora Laís Bodanzky (‘O Bicho de Sete Cabeças’), por considerar os conflitos sem soluções imediatas, resolveu deixar tudo para amanhã. Ou daqui um tempo. Afinal, ela tem razão e encarar a vida desse jeito. Ninguém sabe o que vai acontecer em minutos, por exemplo.

Mas ainda acho que faltou que um ápice para estes momentos finais. Não precisaria fechar a história, mas, ao menos, avançar um pouco seria interessante. Porém, esse detalhe em nada tira o brilho de ‘Como Nossos Pais’, que não será um clássico do cinema nacional, mas vale ser conferido. Assim como o cinema nacional de verdade, aquele que avança as comédias bobas (estilo norte-americanas) ou favelas, tráfico, enfim.

Nota: 8.0

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Sobre o Autor

Pai do lindo Nicholas, Vieira é jornalista (com diploma - MTB 67923/SP) e acumula anos de experiência em redações de jornais e revistas. Colecionador de CD´s de rock e metal, também é apaixonado por cinema e arte de maneira geral. Foi diretor do extinto Portal Novo Metal e colaborador dos sites Whiplash e Portal do Inferno. Escreveu matérias para a Roadie Crew e Valhalla. Na rádio Uniara FM 100.1, foi um dos fundadores do programa Black Dog, há 5 anos. Agora, as ondas do rádio ganharam novos contornos. E foram para a internet. Ao seu lado, o amigo Carlos Oliveira.

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